Ex-Presidente da JSD Pedro Rodrigues assumiu apoio a Rui Rio

Em entrevista ao jornal i Rodrigues afirma que “se o PSD quer montar uma alternativa a este PS” - que considera um Partido Socialista “diferente do tradicional”, mais radical e “ bem distante da linha de Guterres ou Jaime Gama” - terá que “introduzir novos temas”. “Há tempo para discutir ideias, mas é fundamental que esse debate se faça para que o país entenda o projeto que o PSD tem para si”, concede.
“Não abdico de pensar para um centro político moderado, do centro-direita ao centro-esquerda, mas também não abdico de querer uma maioria que seja verdadeiramente reformista”, diz. “Essa alternativa tem de ser liderada pelo PSD. E o PSD só conseguirá liderar, transformando-se: internamente e no modo como se relaciona com a sociedade”


“Eu lembro-me de ver Passos Coelho, quando chegou à liderança do partido, querer reformar o PSD para a modernidade. Depois, o ciclo político precipitou-se, foi-se para governo, e todas as reformas internas foram adiadas. Eu percebo isso: antes do PSD, estava o país. Mas quando se voltou à oposição, nada se fez...”, aponta. “Não podemos perder mais oportunidades. Os mecanismos de diálogo com os setores mais dinâmicos da sociedade, não necessariamente integrados no PSD, têm de ser pensados - ou arriscamo-nos a perder a corrida”, avisa de seguida.

“Repare que as falhas do Estado - na Saúde e na Proteção Civil, por exemplo - são consequência de escolhas ideológicas deste governo: é preciso é explicar porquê”. Na oposição, “claro que a consequência é mais importante que a ideologia”, mas “não devemos esquecer as causas de cada falha”. O problema, “nos últimos dois anos”, terá sido apontar à ideologia “nas áreas erradas”. “Resumir a oposição às questões economico-financeiras quando o ciclo económico é de crescimento não tem sentido”, observa, nesse sentido. E é com Rui Rio que isso vai mudar? Pedro Rodrigues pousa os talheres no prato e afasta uma espinha. “Desde o ínicio da campanha que Rui Rio tem falado de diversas ideias para Portugal. Não o tenho ouvido sequer falar particularmente sobre essas questões [economico-financeiras]. O rigor nas contas públicas é, hoje, uma verdade de bom-senso, tanto para a esquerda como para a direita. Ou não viu os cartazes do PS a celebrar o défice?”, pergunta de volta ao i, em jeito de graça. “Não é isso que distingue os dois candidatos”, continua”. “É certo que Rui Rio defende contas sãs há muitos anos na gestão política, mas ninguém o pode acusar de não defender também a reforma do Estado, da Justiça, do território. É uma questão de ouvi-lo”, sugere