“Não é mais sustentável que o poder político, o mais fiscalizado e o único que o cidadão verdadeiramente escolhe de forma direta, continue num patamar tão baixo de credibilidade e de imagem pública.
A sua qualidade tem vindo a cair de forma evidente, num processo mais do que óbvio, em face do enorme desprestígio em que se encontra. Com muita da Comunicação Social a tratar todos por igual, a promover a vedetas mediáticas muitos dos piores exemplos da nossa vida pública, e a vender permanentemente uma imagem de falta de seriedade de todos aqueles que ocupam cargos públicos, outra coisa não seria de esperar do que a degradação dos nossos agentes políticos. Porque há cada vez menos gente séria e competente a querer entrar para uma espécie de selva onde vale tudo, e onde quem é honesto é tratado como quem não o é; senão mesmo, de forma ainda pior. Nada mais será de esperar quando, muitas vezes, são os próprios dirigentes partidários que, de forma muito pouco séria, abraçam a postura demagógica, e são eles próprios, que para caírem na boa graça do populismo mais primário, tomam medidas de punição irracional sobre a dita classe política, como quem diz: «São todos desonestos, menos eu, porque os castigo» (...)
Têm os demagogos alimentado, ano após ano, medida após mediada, a insaciável voracidade dum populismo que exige vingança ilimitada sobre os políticos que são todos iguais; que só roubam e só se governam. Dito na mais vulgar linguagem popular, «que só lá estão pelo tacho». Estamos, pois, a colher os resultados deste procedimento irresponsável. Um alheamento geral da política, uma fraquíssima capacidade de recrutar os melhores para cargos de enorme responsabilidade, e um País rendido à vontade dos seus credores que paulatinamente vão tomando posse dos nossos ativos.
É este o resultado! Uma reforma do regime tem de começar, em primeiro lugar, pelo reforço e credibilização do poder político. Tem de perceber que a política é uma atividade de enorme nobreza e que exige que nela atuem os mais capazes, os mais sérios e os mais competentes. Sem começar por aqui, nada se conseguirá construir de forma sustentada e duradoira. Foi por aqui que tudo começou a acabar e, por isso, é por aqui que tudo terá de recomeçar.”
