“(...) Requer-se do político a sua
total fidelidade a uma estratégia de longo prazo e a sua especial capacidade para
resistir e dela não se desviar.
É esse o desafio que, neste momento da nossa
história, se coloca a todos os que desempenham cargos de responsabilidade
política. A difícil situação em que Portugal se encontra é, fundamentalmente,
fruto de demasiadas cedências à lógica da simpatia fácil e popular e à gestão
do tempo político em cómoda subordinação às imposições mediáticas.
Impõe-se que
todos, maioria e oposição, poder central e poder local, determinem a sua ação
em função de objetivos de médio e longo prazo, relegando para segundo plano as
medidas de mero efeito conjuntural. Mas, acima de tudo, impõe-se que não sejam
nunca tomadas medidas cujo efeito positivo no imediato possa ter, como
contrapartida, pesados custos no futuro; porque foi justamente isso que
aconteceu no passado e é justamente isso que hoje estamos a pagar.”
