“Se, em nome do interesse nacional,
os principais partidos não se entenderem e se continuarem a guerrear, fechando
as portas ao diálogo e à cooperação, iremos, seguramente, viver momentos ainda
mais difíceis do que aqueles que já hoje podemos dar como certos para os
próximos anos. Se não houver sentido da responsabilidade e se não se entender
que o interesse nacional e do regime se tem de sobrepor a tudo mais, não
vislumbro qualquer espécie de miraculosa autoregeneração, vislumbro sim uma
caminhada irresponsável até ao colapso (...) Reconhecer as dificuldades e os
erros, é dar passos para os ultrapassar. Teimar em não ver o que está diante
dos nossos olhos, é, a médio prazo, matar o que tanto nos custou a conquistar
(...) Temos na nossa sociedade, gente de muito valor que pode liderar a nossa
recuperação e a nossa caminhada no sentido do desenvolvimento e da
respeitabilidade internacional (...) Há questões de regime que deviam ser
abraçadas por todas as forças verdadeiramente democráticas sem qualquer
preocupação de nelas introduzir mesquinhos objetivos partidários e de
conjuntura. É justamente isso que não tem sido feito e que é evidente que tem
de ser feito. Questões como a definição do novo papel do Estado, da reforma da
Justiça, da credibilização da política, do reforço da governabilidade, da
responsabilização da Comunicação Social e do modelo educativo que devemos
seguir, são matérias que, num quadro de defesa dos próprios valores
estruturantes do regime e da sociedade, têm de ser urgentemente tratadas com a
devida competência e o adequado sentido de Estado (...)”.
